Terceiro dia [06/03]

Acordei tarde ainda me acostumando com o fuso. Logo pela manhã, ainda em jejum, o Pastor me levou até um apartamento chamado por eles de ‘favela’. Fomos até lá orar por algumas pessoas. Chegando lá conheci uma senhora que estava doente. Seu nome é Pilvi. Ela estava protegendo sua cabeça que estava doente. Primeiro o Pastor orou por ela e depois me pediu que eu fizesse uma oração. E foi ali que tive minha primeira experiência doida nessa cidade. Pois, antes eu falei ao Espírito Santo… o que eu vou dizer para ela? O que o Senhor quer que eu faça? Foi quando comecei a orar. E eu sabia que ela estava com um problema na cabeça, mas tão dolorido quando sua mente, estava seu coração. E quanto mais eu orava, mas ela me apertava e seus olhos não se contiveram em lágrimas. E o Espírito Santo me ensinou ali a orar por ela e clamar por sua vida. Uma vida tão doente da alma e cheia de feridas. Um coração solitário e triste. Foi algo tremendo. Pois, eu tentava me conter com a presença do Espírito Santo. Porque eu fiquei pensando… meu Deus, dependendo do que aconteça aqui e do mover, ela vai achar que sou doida. Mas o Senhor conduziu da forma mais natural e doce. Logo depois entramos em sua casa. Muito simples. Talvez a mais simples e difícil de encarar que eu já pude ver. Conheci um senhor que morava ali, também, que se chama Tônu. Ele é viciado em drogas, é muito pobre, cheio de problemas. Tem alguns de seus dedos das mãos cortados, ele mesmo cortou em um dos momentos de desespero e em sua calça ainda dava para ver as manchas de sangue. Foi algo muito forte. Uma cena chocante. Mas o mais estranho, se é que essa é a palavra, foi que eu estava a todo momento muito calma e tranquila. Não que eu estivesse fria a situação, mas ali era possível entender para que Deus já me apertou tanto nas dificuldade e me ensinou a ser forte. Porque Ele já sabia que eu iria precisar. Oramos pela vida dele. Primeiro o Pastor e depois eu. E o convidamos para tomar um café conosco na igreja. E para a honra e glória do Senhor, ele foi! O Pastor explicou que ele já havia chamado Tônu várias vezes e era muito difícil levar esse senhor até a igreja. Ele veio, comeu, oramos novamente, conversamos com ele, ele contou todas as suas dificuldades. Foi quando mais uma vez o Espírito Santo me incomodou para falar com aquele homem. E eu simplesmente obedeci e abri minha boca. E contei partes resumidas da minha vida, e de quantas vezes eu já caí, e tentei levantar, e falei do amor incondicional de Deus e que ele tinha acesso a esse mesmo amor e perdão. E que ele tinha que nos pedir ajuda quando fosse necessário, pois às vezes não conseguimos sozinhos, precisamos de alguém para nos ajudar a caminhar e a levantar. O abençoamos e ele foi embora. Mas, a parte mais impactante foi à noite. Eu estava em uma conversa muito agradável com os jovens, onde havia um português recém chegado, um alemão e ambos estão na cidade fazendo trabalhos voluntários, e também meus novos amigos e minha nova família. Quando de repente quem aparece aqui? Tônu. Sim. O senhor que visitamos pela manhã. Tinha se drogado, estava em confusão e estava com medo de voltar para sua casa achando ser impossível, devido às condições em que ele se encontrava. Primeiro, ele nos procurou, o que antes parecia impossível. Depois, ele quis orar mais e confessar que Jesus é seu único salvador. Oramos com ele, lemos o salmo 91. Foi uma conversa longa, pois fizemos de tudo para ele ir para algum lugar específico para se tratar. Ele estava muito nervoso, agitado, transtornado. Chamamos uma ambulância. Ele recebeu cuidados médicos, mas não quis ir. Ficamos com ele por horas, orando, louvando. E ao passar do tempo o semblante dele era outro. Ele foi se acalmando, sorrindo. Foi algo muito doido e sobrenatural. Um detalhe que não mencionei, foi que ele estava há dias, talvez semanas (não sei) sem tomar banho, com aquela mesma calça suja de sangue, suas mãos sujas e machucadas, com alguns de seus dedos cortados… e ele me abraçava, eu pegava na mão dele, orava… e foi muito profundo ao comparar isso com o verdadeiro amor. E eu não senti fraqueza, nem tristeza. Senti apenas que chegou a hora de poder viver meu chamado. E é algo que não dá para expressar com palavras, mesmo que eu tente. Ele foi embora, mas calmo. Mora aqui pertinho. Disse que dormiria no mesmo prédio, mas em outro quarto para evitar problemas.

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