Segunda semana

Mais uma vez venho aqui para contar minha jornada nessa terra tão-tão distante. Demorei a escrever, pois são muitas atividades, graças a Deus. A todo o momento uma nova experiência, um novo contato e é preciso me dedicar a tudo. Por isso, tento guardar ao máximo na memória até a hora de poder transformar estes momentos em palavras, o que não é tão fácil, tão pouco possível, pois são oportunidades em que uso meus sentidos, sentimentos, sonhos, experiências já vividas, é uma mistura de passado e presente montando um futuro tão real e palpável. É algo muito intenso de descrever!

 

10/03

Primeiro culto de domingo… Acordei cedo para os preparativos e aguardar a chegada de todos. Quando o culto começou, desde o momento em que as pessoas começam a chegar, a se acomodar e ao ouvir os louvores em estoniano, minha mente começava a “viajar” e viajei muito longe quando cheguei a Macaé, retornei a Cidade onde moro e guardo com muito carinho no coração. E nessa viagem me lembrei dos cultos de domingo à noite, quando me sinto tão confortável cantando, louvando, adorando nosso lindo Deus…lugar tão grande, com tantos membros, tantas pessoas, tudo em grandes números. E aqui, tão pequeno, tão diferente. E ouvindo estes louvores completamente diferentes, aconteceu algo muito estranho de explicar, mas me senti tão em casa, sabe?! Senti meu coração queimando como se eu estivesse na minha cadeirinha lá na igreja onde faço parte. E senti a mesma vontade de chorar quando sinto Deus perto. Eu não tinha a mínima ideia do que eles estavam cantando… mas, foi algo sobrenatural. Foi quando mais uma vez Deus me trouxe a memória… “Eu sou o mesmo. E essa também é a minha casa. Longe do seu país de origem, longe de tanta coisa que você tem lá. Mas minha presença está aqui da mesma maneira. Pois estas pessoas aqui são especiais e amadas. Eles também foram escolhidos para me ouvir, e se me convidam e se sou bem vindo eu entro e aqui estou.”

E novamente me veio à memória sobre a diferença deste lugar… onde há tanta neve, tanto frio e tantas paisagens diferentes. Pode parecer comum e até banal para quem mora aqui, para todos que têm isso todos os dias, mas para mim que moro tão longe, em outro país, com outro clima, outra cultura, isso é simplesmente espetacular. E é um lugar que também é importante para Deus, o qual também é aquecido com a sua presença. Durante os minutos que pude louvar, e depois quando puder compartilhar um pouquinho da minha vida, era real a presença de Deus e o carinho aquecido do Espírito Santo em meu coração. E percebi que o importante não é nosso idioma, onde vivemos, o que comemos, o que vestimos…isso não importa para Deus. O que importa é nosso coração. O que importa é ter um coração aberto para convidá-lo a entrar, mesmo aqui nesta pequena e tão especial igreja. O que importa não é o revestimento externo de nosso corpo, nem a cor de nossos olhos, nem cabelo… nada disso. Apenas ter um coração grato a Deus, e poder desfrutar desta companhia, como eu pude desfrutar aqui. E me lembrava da igreja em que congrego tão cheia, tão grande. De tanta gente que está ali e ao mesmo tempo não desfruta. Que vai, mas a mente e o coração não são aquecidos. Meu desejo é que Deus possa continuar tendo misericórdia de todas estas pessoas que elas possam despertar e contemplar a oportunidade e privilégio que elas possuem. E mesmo com toda a saudade do Brasil e dos cultos lá, foi muito interessante e aquecido poder pertencer a esta igreja e estar aqui neste domingo. Sei que foi algo preparado por Deus.

Durante a tarde também foi bem agradável, pude passear um pouco com Grete, uma jovem que mora aqui. Muito simpática e amável. E pude continuar “meu estado de choque” com a beleza e diferença completa de paisagens e lugares cobertos de neve. Por uns momentos, fomos caminhar em um lago completamente congelado. Fomos observar dois senhores que estavam pescando. Isso! Pescando no rio congelado. E um destes senhores conversou bastante conosco. E muito bonzinho…engraçado, e até ali quando eu quase congelava de frio parada no meio do rio congelado, falamos de Deus. Realmente… não somos nós que preparamos e planejamos as coisas em nossa vida. Deus faz isso por nós e para nós.

Algo interessante que não posso deixar de relatar foi à ida ao cinema. Onde a legenda do filme estava em estoniano e em russo. Isso mostra a proximidade com a cultura, costume e o povo russo. O que lembra tantas guerras, tanto sangue e tantas lágrimas. E assistir ‘Os Miseráveis’ aqui, no cinema de Võru, é algo que ficou fixado na memória. Não por ter sido um momento de lazer, não. Mas por ser um filme que no Brasil eu não teria ido assistir, pois não faz meu gênero. Mas aqui, nesta cidade, com esta história, lembrando a todo o momento de tantas partes e tragédias históricas ao ver as legendas em estoniano e em russo, foi algo que mexeu comigo. E me fez refletir mais ainda em Deus. No que Ele já foi (sei que ele ainda é, mas no sentido do que Ele já fez e já representou para tanta gente), no que tantas pessoas já foram, já viveram já sofreram, ao lutarem por seus direitos, ao lutarem por liberdade. Por quererem poder viver bem. Digo bem, no sentido de poder viver dignamente, de poder ter acesso, ter direitos, não só políticos, financeiros, mas o direito de sorrir. E é o que o povo daqui tem, e vejo que Deus tem movido pessoas do mundo para estarem aqui lembrando a todos deste direito de sorrir. O direito ao mesmo acesso, da mesma fonte da mesma água que não tem fim. Da mesma água que Jesus deu de beber a mulher samaritana.

 

14/03

O dia hoje foi mais um dia de novos contatos, novas conversas, novos momentos planejados por Deus. Onde tive a oportunidade de conhecer uma senhorinha muito amável de oitenta e oito anos. E eu ouvi dela que ela não quer mais viver porque está muito velha. Como pode pessoas tão amáveis se sentirem tão sozinhas, tão tristes e deprimidas? Mas é quando Deus prepara, e sempre envia algo e/ ou alguém para nos abençoar. Pois, ela veio até a igreja, almoçou e ficamos conversando. E fiz algo que no Brasil temos de sobra – nosso abraço. Como eles são carentes de abraço, de carinho. Pude abraçá-la, oramos por ela, e ela passou a sorrir mais. Ela queria naquela mesma hora me levar na casa dela. Não foi possível, mas foi tão bonitinho vê-la feliz aqui, sentadinha, conversando e feliz por ser ouvida. É apenas isso…ser ouvida. Como as pessoas são carentes de atenção. Não se limite a sempre justificar sua ausência em servir por achar que precisa de dinheiro ou de alguma coisa. Muitas vezes (talvez a maioria) você só precisa se colocar a disposição. Você precisa escolher querer servir. Escolher querer seguir, escolher querer fazer. Pois Deus está ali sempre… te olhando, observando e esperando que você vá. Porque como eu tive a oportunidade hoje, você pode ajudar com um abraço. E é de graça.

 

Pela tarde fomos até outra cidade chamada Räpina. Tive a oportunidade de conhecer alguns jovens, foi um encontro muito agradável, com louvor. Tive a oportunidade de compartilhar um pouquinho da minha vida, do que Deus representa na minha vida. Nem todos os jovens eram cristãos. Mas Deus estava ali do mesmo jeitinho e carinho com cada vida, cada coração. Pude falar um pouco sobre o Brasil, sobre o Rio de Janeiro e sobre Macaé, onde vivo. Mais uma vez, o que para meu ver parece óbvio, para eles era algo novo, algo interessante, diferente, intrigante. E senti a mesma presença do Espírito Santo. Novamente ouvindo louvores em outro idiomas, sem entender absolutamente nada. Mas me senti aquecida. E foi engraçado, pois tinha uma lareira do meu lado. Estava ali, “viajando”… pensando naquela lareira e fiquei ali conversando (na minha mente) com Deus… “Senhor, o que isso quer dizer?” E ele imediatamente ministrou em meu coração: ”Esta lareira sou eu. Lá fora, o mundo pode estar frio, mas eu aqueço o interior dos corações. Quando tudo está frio, Eu posso aquecer. Com o fogo do meu Espírito”. E aquela tarde foi aquecida. Creio que Deus havia separado aquele momento para nós. Não somente para quem já acredita em seu poder, mas para todos seus filhos amados que estavam ali. E mais uma vez me senti aquecida, entre novos amigos e tantas outras novidades de vida.

Deixo para terminar um pedido: Se coloquem a disposição de Deus. Existe muito mais de Deus para nós. E muitas coisas podemos fazer de graça, como por exemplo, o que citei e é algo tremendo… um simples abraço.

 

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