A caminho da Estônia

“E em Jerusalém havia a festa da dedicação, era inverno.E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão”. João 10:22-23

Essa passagem nunca me chamou tanta atenção como nesses dias. Inverno! Só conheço inverno quentinho, inverno do Rio de Janeiro, aquele que você “sofre” porque está 15 graus. Eu já havia viajado para os Estados Unidos quando o inverno estava para começar, sofri com o vento de Nova Iorque em uma temperatura de 1 grau negativo, achei aquilo terrível.

Subimos no avião no dia 30 de Janeiro e fomos para nosso primeiro voo para Europa em família. Todas as conexões dos voos foram perfeitas, tivemos algumas perguntas a mais na alfandega de Amsterdam, mas nada que não fosse resolvido rapidamente. Ao chegarmos em Helsinque era a hora da verdade. A Lívia nos aconselhou a vestirmos as roupas de frio no aeroporto e darmos uma olhada de 10 minutos la fora para sentir como estava o clima, iriamos pegar o ônibus e um bonde para chegarmos no navio que sairia para Tallinn 21:30.

Como estava o frio fora do aeroporto você deve estar se perguntando, não é? Faça uma coisa, pare de ler, pegue um ventilador ligado e coloque no seu freezer agora coloque sua cabeça lá dentro por 20 minutos. A sensação era pior que isso! Me lembro de ir me vestir depois que Bia e Gabriel já estavam prontos, coloquei só uma calça segunda pele, uma calça jeans e uma calça impermeável que minha mãe havia comprado e me emprestado. Quando saí do banheiro a calça era muito larga e porque não ficou bem visualmente eu tirei. Lamentei mais tarde ter feito isso.

QUE FRIO É ESSE!!!! Gritava a Bia para mim. Bia não quis calçar uma bota que ela comprou porque o Allstar de cano alto era muito mais bonito, pobrezinha… Deus nos abençoou com um homem que nos viu ali no ponto de ônibus com cara de estrangeiros perdidos e nos deu toda a informação para chegarmos no nosso destino. Quando descemos do ônibus tivemos que andar 100 metros até o outro ponto para pegar o bonde. A Bia havia me dito, quando ainda estávamos bolando que trajeto fazer, que andar não era problema para ela. Aqueles 100 metros foram como uma longa jornada contra o vento.

A Bia com o rosto já queimado por causa do frio (deixou marca no rosto dela por dois dias) e o Gabriel com cara de muito assustado ficaram no ponto esperando o bonde enquanto eu corria para comprar uma luva. Não conseguimos achar um par de luvas na mala quando saímos do aeroporto então decidi ficar sem as luvas para eles poderem aquecer as mãos. Quando voltei encontrei uma cena que me marcou. A Bia com cara de desesperada reclamando dos dedos do pé muito frios e o Biel já chorando querendo voltar para o Brasil. Corri, abri a mala, peguei a bota e arranquei do pé dela o par de Allstar.

Deus novamente nos ajudou, Ele está sempre vigilante, pense nisso quando você estiver perdido em algum lugar e não souber o que fazer. Eu estava assim, malas grandes e com a responsabilidade de levar minha família para um lugar que não podia errar o caminho e me aventurar no frio. Em um inglês bem quebrado o motorista do bonde nos ajudou a descer no ponto certo e só tivemos que andar 200 metros. Eu sei, você está pensando, agora era o dobro do trajeto anterior, mas saiba de uma coisa se você consegue ver seu alvo a frente e já venceu uma experiência difícil antes suas forças são renovadas.

Deus coopera com a nossa fé. Estávamos com um objetivo e acreditamos que conseguiríamos se o Senhor nos ajudasse. Chegamos em Tallinn e seguimos viagem no mesmo momento com a carona da Grete e Siim que vieram nos buscar. Descobrimos que os estonianos estavam doidos para que chegássemos logo. Chegamos em Voru depois de 3 horas e meia de viagem e já era madrugada de Sábado, fomos dormir.

Na tarde seguinte, Thea, a esposa do pastor Kaupo da Igreja de Voru, nos recepcionou e nos contou que Deus era muito bom para a gente. Na semana anterior, quando iriamos chegar, a temperatura estava vinte graus negativos e com o vento a sensação térmica podia chegar a 30 graus negativos!!! Caro leitor, na Finlândia nós pegamos aproximadamente nove graus negativos e com o vento talvez uma sensação térmica de 15 graus negativos, se minha família tivesse passado por isso assim que chegássemos do lado de fora do aeroporto não acho que eu estaria escrevendo esse diário.

Nos próximos dias vou escrever sobre como Deus tem nos usado aqui e porque os estonianos tanto nos esperam. Contamos com as orações de todos.

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações” 1 Tessalonicenses 1:2

Paz,

Família Frossard

5 de Fevereiro de 2014

 

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